Notícia de jornal




NÃO HÁ LUGAR

Ontem, por volta de 10h, um homem aparentando uns trinta anos de idade entrou em um templo religioso e foi retirado por fiéis. O homem, que estava de bermuda jeans, camiseta branca e chinelos, relatou que o motivo foi o fato de "ele não estar apropriadamente vestido para o local". Simples, o homem disse que não guarda mágoas e que perdoa todos os que o maltrataram. Disse também que não lhes deseja nenhum mal, pelo contrário, que Deus os abençoe, guarde e que ilumine o caminho e a mente de cada um, pois eles não sabem o que fazem.

Depois de serem procurados pela nossa equipe de reportagem, os autores da ação afirmaram que o homem não devia estar ali. O evento naquele momento era apenas para convidados, e o homem não havia recebido um convite.



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"E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem". Lucas 2:7






Texto inicialmente publicado como nota em minha página do Facebook em 13/03/2017

O corvo que habita em mim



Na terça-feira de carnaval, quando lá fora todos ainda festejavam, se divertiam, em minha casa eu lia meu exemplar de Poemas e Ensaios de Edgar Allan Poe. Não estava sozinha em casa, mas todos dormiam; tudo estava tranquilo. Era como se estivesse só. 

Há pois, duplo silêncio; o do mar e o da praia, 
do corpo e da alma; um, mora em deserta região 
que erva recente cubra e onde, solene, o atraia 
lastimoso saber; onde a recordação 
O dispa de terror; seu nome é "nunca mais"; 
E o silêncio corpóreo. A esse, não temais!


(versos do poema Silêncio)

Não sei bem em que momento, mas percebi que alguma coisa se modificava. Era estranho... Parecia crescer em mim uma presença antes desconhecida. Meus olhos ficaram pesados. Meu corpo, cansado. Senti que a qualquer momento poderia desfalecer.

Tanto é o medo que, incapazes de falar,
              se limitam a gritar,
              em tons frouxos, desiguais,
clamorosos, apelando por clemência ao surdo fogo,
contendendo loucamente com o frenesi do fogo,
      que se lança bem mais alto,
      que em desejo audaz estua
      de, no empenho resoluto de algum salto
      (sim! agora ou nunca mais!),
      alcançar a fronte pálida da lua!
(versos do poema Os Sinos, parte III)

Poe é intenso. É uma leitura densa; mexe com nossas emoções de maneira misteriosa. Nem bem havia terminado de ler os poemas e senti como se estivesse sendo observada. De algum jeito, não sei bem, aos poucos talvez, uma escuridão tomou forma e foi se empoleirar em algum lugar dentro de mim.

Ao ver da ave austera e escura a soleníssima figura, 
desperta em mim um leve riso, a distrair-me de meus ais.
“Sem crista embora, ó Corvo antigo e singular” - então lhe digo -
“não tens pavor. Fala comigo, alma da noite, espectro torvo,
qual é teu nome, ó nobre Corvo, o nome teu no inferno torvo!”
         E o Corvo disse: “Nunca mais”.

(versos do poema O Corvo)

Saiu das páginas, de onde estava, sobre o busto de Minerva, diretamente para o meu peito. Ao terminar a leitura, estava ofegante. Olhei para o encosto do sofá e perguntei: “Vou me sentir sozinha novamente?” Ao que a presença inesperada respondeu: “Nunca mais”.

E lá ficou! Hirto, sombrio, ainda hoje o vejo, horas a fio,
sobre o alvo busto de Minerva, inerte, sempre em meus umbrais.
No seu olhar medonho e enorme o anjo do mal, em sonhos, dorme, 
e a luz da lâmpada, disforme, atira ao chão a sua sombra.
Nela, que ondula sobre a alfombra, está minha alma; e, presa à sombra,
         não há de erguer-se, ai! nunca mais!

(versos do poema O Corvo)



Texto inicialmente publicado como nota em minha página do Facebook em 06/03/2017

E o Oscar vai para...???



A noite mais esperada pelos cinéfilos de plantão e principalmente para os profissionais envolvidos na premiação aconteceu na noite passada avançando pela madrugada de hoje. Televisionado pela TNT, o show teve momentos inusitados, inesperados, chocantes, emocionantes e muito, muito mais.

A entrada de turistas durante a premiação foi um barato! O choque dos visitantes ao perceberem onde estavam e, principalmente, COM QUEM estavam, valeu. Até porque, nunca antes haviam permitido a entrada de “pessoas comuns” no teatro durante a festa de entrega dos prêmios. Os celulares nas mãos, os cumprimentos aos atores e atrizes... Senti-me no lugar daqueles meros mortais que conseguiram participar de alguma forma de um momento memorável. E bota memorável nisso.

As tiradas sarcásticas do apresentador em relação às recentes declarações do presidente direcionadas à “superestimada” (hahaha) vinte vezes indicada ao Oscar, famosíssima, diva Meryl Streep foram sensacionais. Assim como de outras menções ao muro... aos jornalistas que não têm permissão para noticiar fatos mentirosos... Eu sabia que ia rolar. Houve até fuxico no Twitter do presidente... hilário.

Justin Timberlake abriu o Oscar com sua canção concorrente ao prêmio pelo filme Trolls. Durante a festa, vimos as apresentações de Sting, da atriz cantando a música tema de Moana e John Legend com as canções concorrentes pelo filme La La Land. Na minha opinião, os prêmios de melhor trilha sonora e melhor canção certamente seriam entregues ao musical mais badalado do momento. Barbada!

As atrizes estavam muito elegantes. Destaco a atriz Viola Davis, simplesmente divina! As atrizes do filme Estrelas além do tempo também estavam muito bem. Sobretudo a maquiagem da atriz Janelle Monáe, lindíssima. Destaque também para a escolha do vestido longo com decote em v da atriz Amy Adams. Não há muito o que falar sobre os atores nesta questão. No entanto quero destacar o ator Seth Rogen com o par de tênis do filme De volta para o futuro e o cabelo de Casey Affleck, acompanhado de sua barba rendeu o comentário “não é nenhum vagabundo” pelo apresentador Jimmy Kimmel.

Os momentos mais engraçados da festa ficaram por conta do apresentador sacaneando o ator Matt Damon. O auge dessa situação foi quando Matt e Ben Affleck foram apresentar um dos prêmios de melhor roteiro. Enquanto Damon falava, os músicos tocavam cada vez mais alto para impedir que o ator fosse ouvido pelo público. Matt reclamou que ele apenas apresentava o prêmio e que os trinta segundos são para os vencedores em discurso. Mas Kimmel não deu a mínima e continuou regendo os músicos. Ha!

Até a metade da festa, eu estava perdendo o bolão aqui de casa por 9 x 6. Isso porque esse ano foi muito equilibrado. Os filmes, atores, atrizes e demais profissionais executaram excelentes trabalhos elevando a qualidade das produções. Mas antes do encerramento da festa eu já havia passado a frente.

Tirando os prêmios óbvios mencionados acima, acertei alguns ao analisar críticas, publicações e o resultado de premiações anteriores ao Oscar. Levei em consideração também a história das premiações em alguns casos. No caso de Denzel Washington, parecia certo uma nova estatueta para o ator. Levando-se em consideração casos de escândalo envolvendo Casey Affleck. Mas sua atuação tão elogiada e já premiada se sobrepôs às manchetes. Não sei bem se na briga venceu o profissional sobre o pessoal. Acho mesmo que os membros da academia já tinham votado antes de tudo vir à tona.

Acertei a maioria dos principais prêmios: melhor diretor, ator, atriz, ator coadjuvante, roteiro, roteiro adaptado. Também acertei os vencedores nas categorias melhor animação, documentário em longa, documentário em curta, edição de som, mixagem de som e melhor maquiagem. Mesmo tendo apostado errado em Naomi Harris, gostei muito de Viola Davis ter ganhado o prêmio por sua atuação em Fences (apesar de eu ainda não ter assistido ao filme). Ela é uma lutadora. E nunca estive mais feliz por estar enganada ao ver Animais Fantásticos e Onde Habitam levar a estatueta de melhor figurino. Confesso que não acreditei muito, pois eles sempre arranjam um jeito de sacanear os filmes que apreciamos. Prêmio merecido. Acertei também o de melhor maquiagem para Esquadrão Suicida (depois de todas as críticas ruins ao filme, tsc tsc tsc)

No total de prêmios (os principais) ficou assim: La La Land (6), Moonlight (3), Manchester by the sea (2), Até o último homem (2), Fences, Zootopia, A chegada, Esquadrão Suicida, Animais fantásticos e Onde Habitam e Mogli, cada um com um prêmio. Os injustiçados foram muitos: Estrelas além do tempo, A qualquer custo, Lion, Rogue One, Denzel Washington, Viggo Mortensen, e os que nem foram indicados: a direção de Denzel Washington, a atuação de Amy Adams e do pequeno ator em Lion, Sunny Pawar.

Mas a pergunta que não quer calar é: o que aconteceu no anúncio do grande vencedor da noite? A empresa responsável pela festa se pronunciou pedindo desculpas pela troca dos cartões. Foi uma gafe monumental! Um mico histórico! Aqui em casa rolou até teoria da conspiração kkkkkk. O fato é que Moonlight venceu o Oscar de melhor filme de 2017. Não assisti ainda ao filme, mas pretendo. Pelo que li a respeito, foi um prêmio merecido. Espero poder tirar logo minhas próprias conclusões. Até lá, ficarei com a lembrança do momento mais constrangedor da noite. Sério, ainda estou passada! Até porque, minha principal aposta era que La La Land venceria. Pois é, quem entende a Academia de Artes Cinematográficas???

P.S.: Donald Trump deve ter adorado os vencedores dos prêmios de melhor ator e atriz coadjuvantes (negros), melhor filme estrangeiro (iraniano), melhor documentário em curta metragem (sobre a Síria) e o prêmio máximo da noite, melhor filme; produção sobre negros abordando homossexualismo, uso e tráfico de drogas... rsrs


Texto inicialmente publicado como nota em minha página do Facebook em 27/02/2017

Com o coração na panela



Um dos maiores prazeres da vida é comer. Saborear os mais variados alimentos, in natura ou preparados através da arte da culinária. Não sou "a melhor" na cozinha, mas sei me safar.

Comecei a gostar de cozinhar quando assistia a programas de culinária na TV. Na época, Ana Maria Braga era de outra emissora, e eu não perdia um programa. Depois comecei a pesquisar em livros. Não tinha acesso a internet, muito menos computador. A mãe de uma amiga muito querida possuía vários volumes de livros com centenas de receitas. Cada uma mais interessante do que a outra. E foi aí que me apaixonei. Preparar um prato diferente, daqueles que não se come todo dia, passou a ser um hobby.

Tamanho é o prazer, que esqueço o tempo, problemas, tudo. Este é um momento único. Não se repetirá. É preciso atenção para não errar. Mas o que faz esse momento tão especial não é apenas o ato de cozinhar. É também o para quem se cozinha. Quando um familiar ou amigo prova aquele quitute e sorri... Quando, depois da primeira garfada, te parabeniza... Quando não se satisfaz com um único pedaço e pede bis... É maravilhoso. A sensação de cozinhar para alguém faz com que queiramos o melhor. O prato mais perfeito. A refeição mais deliciosa. A satisfação é em dobro.

Não sou uma mestre-cuca. Sou apenas uma pessoa que cata receitas na internet para alegrar o paladar alheio. O segredo não são pitadas de ingredientes secretos... O segredo não é o curso de culinária mais aclamado... O segredo é o AMOR! Colocar o coração na panela. Eis o que faz a diferença. Porque, mesmo que a receita não fique do jeito que você esperava, mesmo que você esqueça algo, você vai se divertir com a situação. Você vai aprender. E vai querer cozinhar outra vez.


Texto inicialmente publicado como nota em minha página do Facebook em 20/02/2017

Fofoca


Você não vai acreditar nas coisas que eu acabei de descobrir! É impensável! Inimaginável! Um monte de coisas! Traição, separação, gravidez, homossexualismo... Ok, vou parar de enrolar e começar a contar logo.

Quando chegou em casa, ela não imaginava o que iria encontrar. Havia saído mais cedo do trabalho e pensou que teria mais tempo para preparar o jantar para sua família. Abriu a porta e entrou. Jogou a bolsa sobre o sofá, tirou os sapatos e foi em direção ao quarto. Mas ao se aproximar, ouviu sons. Duas pessoas sussurravam. Uma das vozes era feminina. Ela estranhou o fato e continuou caminhando, agora devagar, como que tentando retardar a constatação. A porta entreaberta permitia que os gemidos ganhassem o corredor. Ela soube o que acontecia. Não queria ver, mas precisava. Preferia que não fosse verdade. Mas ela precisava acabar logo com aquilo, até porque não teria estômago para continuar ouvindo mais...

Caminhando na rua ele encontrou o amigo. Disse que as coisas não iam bem. Ele havia saído de casa, pois a situação estava insustentável. Alugou um quarto e não pensava mais em retornar. Ficou triste por não ver mais a filhinha pequena, de três anos. Sabia que seria difícil brigar na justiça por qualquer coisa. Ele disse que esperaria a poeira baixar antes de conversar com a ex sobre a menina, pensão, e tudo o mais. Por enquanto, ele não queria pensar em nada...

Aos quatorze anos, ela ficou desesperada. Os pais nem sabiam que ela namorava. E agora mais isso! Como iria contar que estava grávida? Uma vez seu pai falou que se ela aparecesse assim em casa, ele a arrebentaria de porrada. A mãe, coitada, trabalhava o dia todo em casa de família fazendo faxina e não tinha tempo de cuidar da filha. A garota ficava na rua o dia inteiro... pois é, deu no que deu. Será que não seria melhor fugir? Ir para a casa de uma amiga até que a mãe soubesse e acalmasse seu pai? Ela não sabia. Não sabia de nada. Nem ao menos se o pai do bebê que esperava, um adolescente da mesma idade, iria assumir a criança. As crianças... O que ela não sabia, aos quatro meses de gestação, é que esperava gêmeos...

Depois de tantos anos casado, de três filhos criados, adultos, ele finalmente admitiu que sentia atração por outros homens. Admitiu para si mesmo. E agora enfrentava uma luta para não mais viver na mentira. Não que ele não gostasse da esposa e dos filhos. Ele os amava muito. Mas como continuar fingindo ser algo que ele não era? Como contar a verdade aos outros? Como eles iriam reagir? É, pimenta nos olhos dos outros é refresco... ele não pensava que passaria por isso. Mas, e agora?

Você achou mesmo que eu exporia alguém?  Sabe de nada, inocente!



Texto inicialmente publicado como nota em minha página do Facebook em 13/02/2017