1 de maio: comemorar o quê?



Na última sexta, dia 28 de abril, uma greve geral convocada por sindicatos e segmentos da sociedade aconteceu em vários estados e cidades do país. Em alguns lugares, a adesão foi grande; em outros, pequena. Mas em todos houve manifestações acaloradas, inclusive com depredação de patrimônio público e privado. Mais manifestações foram convocadas para hoje.

Vi muitos reclamarem nas redes sociais dos “baderneiros e vagabundos”. Pessoas que exerceram seu livre direito de não aderir à greve, mas que, infelizmente, na minha opinião, reclamou da mesma. Como vi em muitas postagens, “cada um sabe onde o calo aperta”. Eu não parei na sexta-feira. Sabe por quê? Fiquei extremamente aborrecida. Sabia que muitos não parariam e eu já havia parado antes. Ou paramos todos, ou não adiantará. Devemos nos unir.

Mas quer saber? As reformas da previdência e trabalhista deveriam ser aprovadas. O povo merece essas reformas. E antes que digam que sou maluca e que a culpa é dos políticos apenas, digo logo: a culpa é nossa! As corrupções do cotidiano tornam possíveis esse escândalo vergonhoso. Educamos mal nossas crianças. A malandragem e o jeitinho brasileiro destroem qualquer vestígio de ética. Afinal, o que é ética??? Ninguém sabe; ninguém quer saber.

Ou lutamos todos, ou nada. Não adianta apenas os funcionários públicos e sindicatos. Simplesmente nada vai mudar. O provo precisa entender! 49 anos de carteira assinada para aposentadoria integral!!! Caso você tenha idade para se aposentar e tempo mínimo de serviço, você receberá apenas uma porcentagem do seu salário. Se não dá para viver com 100% (sempre é preciso outro emprego, complementar renda) como viver com menos???

E o mais engraçado é que as reformas atingirão a todos; com exceção dos políticos, o pessoal do executivo, do legislativo e a galera do judiciário. As forças armadas também estão fora do pacote. Para nós, meus amigos, é GAME OVER. Mas quer saber?!? Espero que sejam aprovadas. O povo merece. Por não saber quais lutas lutar. Por não se importar com o coletivo, só com o próprio umbigo. Por pensar que não faz diferença. O congresso é o reflexo da nação que representa. Somos todos interesseiros. Só que para alguns falta a oportunidade de “aprontar”. E há também os que criam oportunidades para destruir tudo, em troca de enriquecimento ilícito. Sabe, tomara que sejam aprovadas! Então poderemos passar o resto de nossas vidas nos lamentando do que poderíamos ter feito e não fizemos.

E a propósito, FELIZ DIA DO TRABALHO!




Texto inicialmente publicado como nota em minha página do Facebook em 1/05/2017

Política e Corrupção



1) Ninguém fez nada. A cada novo nome que surge nas delações premiadas, um novo pronunciamento é divulgado para esclarecer que o político em questão “nunca” recebeu dinheiro de caixa dois e que todos os valores recebidos por ele/ela para a campanha foram declarados e as contas devidamente aprovadas.

2) Líderes de partidos. De acordo com o pronunciamento dos políticos, os valores recebidos pelos líderes dos partidos envolvidos aceitaram esses valores e repassaram. Os demais “nada” sabiam da origem do dinheiro. Pois é, “filho feio não tem pai”. Ninguém nunca sabe de nada; ninguém nunca viu nada e, por isso, ninguém fala nada.

3) Conto de fadas. Fico espantada com a capacidade de desmentir tudo o que tem sido descoberto. É como se todos os delatores tivessem ensaiado sua história, a mesma e única, para contar e “encantar” a todos com as mais nojentas sujeiras da corrupção. Todos eles sabem que receber propina é crime. Além disso, há tráfico de influência, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, envolvimento com milícias e, se duvidar, até com facções, e muito mais. Mas vamos combinar, né, que os políticos hoje (não todos, só a maioria) fazem parte de uma baita organização criminosa das piores já conhecidas. E querem nos fazer acreditar que são todos inocentes vítimas de um complô, da maledicência de invejosos mal-caráter...

4) Crime organizado. Desviaram verbas destinadas para áreas das quais depende a vida da população. Superfaturaram obras, compras e serviços tornando-se milionários da noite para o dia. É claro que muita gente sabia e não fez nada. É claro que muita gente participava. Levava sua gorda fatia dos milhões. Contas de campanhas aprovadas... contas de gestões aprovadas... dois ex-governadores na lista... Quanto mais mexem, mais a merda fede. E não é só o Tribunal de Contas envolvido... Uma organização como essa precisava de muitos braços para se articular, para dar conta do montante que circulava.

5) E a população, como fica? Não fica! Muita gente pagou caro. Pagou com a vida pela festa de vagabundos que foram eleitos pelo voto popular para representar o povo. TRAÍRAM O POVO. ROUBARAM O POVO! Investimentos em saúde, educação, segurança e tudo o mais... roubados! Muitos perderam a saúde... foram vítimas de crimes que deixaram sequelas... os deixaram dependentes pelo resto de suas vidas. Muitos morreram em filas ou nos corredores dos hospitais. Há outros tantos que não têm moradia, saneamento básico... PERSPECTIVA DE FUTURO. Fico pensando até quando a população ficará inerte, alheia ao que acontece, interessada apenas em novelas, futebol, cerveja e na senha do WiFi liberada. NÃO PERDEM O DIA... Correm o risco de perderem a vida. Com os próximos golpes não restará nada. Primeiro nos roubam e atacam a democracia. Depois retiram direitos básicos do povo e do trabalhador. Enfim, ficaremos sem nada. Para alguns só restará a alma. Se bem que, como se pudessem dispor dela, muitos já venderam a sua própria...



Texto inicialmente publicado como nota em minha página do Facebook em 24/04/2017

Renovação




Olá! Boa noite! Como vai? Eu vou bem, obrigada. Cansada de um dia normal no trabalho. Como de costume, toda segunda eu posto uma nota. Sei que está tarde. Já é quase terça. Mas ainda não é. E por isso postarei. Está bem! Mesmo que fosse eu postaria mesmo assim. Mas hoje estive pensando em falar da RENOVAÇÃO.

Um dia como o de ontem, (agora, quase anteontem) as pessoas felicitam umas as outras. “Feliz Páscoa!”, “Que você seja a renovação que espera”, “Está aqui seu chocolate”... Essa palavra, RENOVAÇÃO, está ligada a algo. Esse algo é muitíssimo importante. É Jesus! Mas as pessoas não falam isso. Não mencionam. Não digo os crentes ou, me desculpe o termo anterior, os cristãos. Estes amam a Páscoa. A simbologia, o significado, estar reunido com a família para comemorar, com a igreja... ah e também chocolates, não sejamos hipócritas aqui. Digo as pessoas de fora. Apresentadores de TV falam de renovação. Renovação de quê? Renovação das forças? Renovação da fé? Em quê? Como falar de algo se se não acredita nesse algo? Quando o feriado é vazio de significado para determinada pessoa, é bom que ela não se manifeste. Curta apenas o ficar em casa. Não fale bobagens.

Sábado assisti a uma parte de um programa de auditório de um cara que não vou dizer o nome, mas que é conhecido por reformar casas e carros... Ele falou de renovação. Se for das nossas forças, estamos lascados. Nossa força é finita. Nossa força é nada. Se for para renovar, que seja recarregando a bateria com uma fonte inesgotável de força, a de Deus. Renovação de fé? Que seja fé em Jesus Cristo, único capaz de retirar tudo o que não presta do mundo. Através do qual é possível obter a vida eterna. Sacrifício vivo e santo para que fôssemos (não somos!) vivos e santos.

A data foi esvaziada de significado há muito tempo... E isso porque as pessoas estão vazias. Ocas. Já disse isso num texto anterior; andam no piloto automático. Resgatar a fé em Jesus, o amor a Deus acima de todas as coisas, o amor a si mesmo e as demais pessoas, resgatar a fé em si mesmo, que podemos mudar e ser diferentes... que podemos nascer de novo e ser outra criatura... Isso deve ser resgatado. Depende de nós.

Para finalizar, conto uma conversa que tive com uma mulher na fila de um caixa recentemente. Falávamos de como existem espertinhos que se fazem de desentendidos para entrar na fila designada às prioridades. Ela disse-me que isso acontece por não conhecer os nossos direitos. Ela está enganada. Acontece por não conhecermos nossos deveres. No momento em que a pessoa ver-se participante de um grupo, da sociedade, do mundo... no momento em que tal pessoa olhar para o outro e ver-se nele espelhado, então, nesse dia, teremos um mundo um pouquinho melhor.

Que nessa Páscoa, a RENOVAÇÃO que você desejou a alguém tenha sido sincera e verdadeira. Que além de nossa força e de nossa fé, nosso AMOR seja renovado. O mundo está precisando disso. E foi por isso que Jesus veio ao mundo, padeceu e ressuscitou: POR AMOR A TODOS NÓS!



Texto inicialmente publicado como nota em minha página do Facebook em 17/04/2017

Inspiração. Cadê você???



Desde o dia 02 de janeiro tenho escrito notas semanais sobre muitas coisas. Já falei sobre aniversários, história, violência, escolhas, fé, mais violência... Se escrevi bem ou mal, sabe, desculpe, não estou muito interessada nisso no momento. Por enquanto, o que me importa mesmo é escrever. Mas hoje deu branco. Todo mundo que escreve passa pelo branco. Aquele momento em que você está diante de uma folha de papel ou de uma tela e... NADA. Não sai nada.

Na tentativa de escrever bem, talvez um dia... resolvi registrar minha incapacidade de escolher algo sobre o que dizer. E nessa tentativa acabei falando sobre algo. Mas, como falta-me inspiração neste dia tão bonito de outono, vou abreviar o sofrimento dos meus (poucos, senão nenhum) leitores. Para tanto, devo contar-lhes sobre sábado.

Ainda às voltas com minha leitura de Edgar Allan Poe, decidi me aventurar pelo terreno da poesia. Quis compor algo que não sabia o quê, nem por onde começar. Parecia uma previsão de que o branco aconteceria hoje. Podemos chamar de visão premonitória de um futuro nada distante. Compus algo que, inicialmente, possuía o verso “Porcaria de escrita que ficou”. Se tiver coragem, leia e julgue que por si mesmo. Mas depois não venha reclamar comigo de tempo perdido. Eu avisei antes!

Soneto da Falta de Inspiração

Eu queria compor belo poema
Eu queria encontrar lindo tema
Vivo dilema, que devo eu falar?
Vivo a escrever sozinha em meu tentar

Procurei eu resolver o problema
Procurei eu então não mais calar
Fiz, sim, do sofrimento um respirar
Fiz, sim, rascunho de meu teorema

Eu queria palavras tão bonitas
Procurei eu entre todas benditas
Maldita escrita uns rabiscos ficou

Maldita quem com as palavras brincou
Quem muitas vezes no papel riscou
Não recebeu das Musas as visitas.


Está bem! Vou poupá-los de mais palavras vãs. Até a próxima semana com, quem sabe, um texto que valha a pena ser lido. Malfeito feito!



Texto inicialmente publicado como nota em minha página do Facebook em 10/04/2017

Sangue e lágrimas



Não me manifestei sobre o ocorrido porque precisei me distanciar. Não porque não tenho emoções, por ser fria ou racional demais. É exatamente o contrário. Foi porque senti muito. Como se tivesse sido comigo. E foi. Foi comigo porque sou nascida e criada em comunidade. Foi comigo porque, à duras penas, cursei faculdade, também pública... um curso considerado pouca coisa pela elite dominadora. Foi comigo porque ainda moro em comunidade. Foi comigo porque sempre estudei em escola pública. Porque sou professora e me vi no lugar dos colegas, tentando amenizar o sofrimento e o medo dos alunos. Foi comigo porque tenho amigos e parentes com filhos em idade escolar. 

Imaginei-me no lugar deles recebendo a terrível notícia de que não a veria mais... Foi comigo porque um dia fui menina. Tive sonhos. Realizei alguns, outros não. Mas tive a oportunidade de tentar. Oportunidade que foi negada a ela na última quinta-feira. Triste pensar que o Estado interrompeu os sonhos de uma menina... que abreviou sua vida com o que foi uma execução institucionalizada. Triste pensar que, não importam sonhos, trabalhos, conquistas... Seremos sempre considerados pretos favelados prontos a virar estatística. O Estado puxou o gatilho e disparou. As balas partiram da mesma direção. O instrumento do Estado não passa de um pobre levado a pensar que matar outro pobre vai tornar esta cidade um lugar mais justo. Injusto. Enquanto isso, ventríloquos brincam conosco, usando-nos numa guerra inventada para seu bel-prazer. Joguem aos leões! Cortem-lhe a cabeça!

Hoje é um outro dia. Dia de matar mais um. Quem será o escolhido? Nessa loteria da morte, ninguém quer ser o vencedor. Mas, a verdade, é que todos já temos nossos bilhetes. Ao sair para trabalhar, estudar, fazer curso, namorar, brincar... viver! Ou mesmo em casa vendo TV, ao computador ou dormindo... Essa não é uma perda só da família. É uma perda coletiva. Morrem crianças, idosos, adultos, trabalhadores, bandidos, policiais. Mas o rico continua cada vez mais rico. E o pobre cada ver mais pobre. Pobre de motivos para sorrir. Pobre de liberdade. Pobre de sentimentos. Pobre. No entanto, os verdadeiros miseráveis são os que estão a manipular essa carnificina de trás de suas mesas com dedos cruzados, colarinho branco e olhar de superioridade... os donos da situação. O que fazer nesse cenário caótico? SOBREVIVER ! Um dia depois do outro. Até que a próxima bala acerte. Até que mais um dos quatro projéteis derrame sangue e lágrimas. Triste. Muito triste.


Texto inicialmente publicado como nota em minha página do Facebook em 03/04/2017